O que parecia impossível há poucos meses está acontecendo na prática: modders independentes estão conseguindo rodar o DLSS 5 da NVIDIA em placas de vídeo AMD Radeon, e os avanços estão sendo tão rápidos que, em um único dia, a ferramenta ganhou um salto de 74% de desempenho. Segundo o TechPowerUp, o desenvolvedor por trás do projeto DLSS-NR-on-AMD lançou duas novas versões em menos de 24 horas, consolidando o que pode ser um dos momentos mais significativos da cena de modding de hardware em anos. Para o gamer brasileiro que tem uma Radeon na máquina e sempre olhou com inveja para o DLSS, essa notícia merece atenção total.
Para entender o peso disso, é preciso recuar um pouco. O DLSS (Deep Learning Super Sampling) é a tecnologia de upscaling da NVIDIA que usa redes neurais — treinadas nos Tensor Cores das GPUs GeForce — para reconstruir imagens em resoluções mais altas a partir de frames renderizados em resoluções menores, mantendo qualidade visual próxima do nativo com ganho expressivo de FPS. O DLSS 5, a versão mais recente, introduziu o Neural Rendering, capaz de gerar quadros completos com IA, indo além do simples upscaling. O problema: oficialmente, isso só funciona em hardware NVIDIA. Até agora.
Como o DLSS 5 chegou às GPUs AMD — e por que é tão difícil
A barreira técnica aqui é enorme. O DLSS foi projetado para rodar nos Tensor Cores, unidades de computação especializadas presentes exclusivamente nas GPUs NVIDIA desde a arquitetura Turing (RTX 20). As Radeons da AMD não têm Tensor Cores — elas possuem as chamadas AI Accelerators (nas RDNA 3) e AI Engines (nas RDNA 4), que são aceleradores de IA com capacidades diferentes e uma stack de software completamente distinta.
O que o modder fez foi adaptar os modelos de IA do DLSS 5 para rodar via DirectML e Vulkan — APIs que permitem computação de IA em hardware genérico, incluindo GPUs AMD e Intel. O resultado não é idêntico ao DLSS nativo em hardware NVIDIA (há overhead de compatibilidade), mas o progresso está sendo surpreendentemente rápido. Em apenas um dia de trabalho, o ganho de desempenho saltou 74% em relação à versão anterior da ferramenta, de acordo com o TechPowerUp — e isso sem qualquer suporte oficial da NVIDIA ou da AMD.

DLSS 5 vs FSR 4: o campo de batalha do upscaling em 2026
Para contextualizar a relevância desse mod, vale comparar o estado atual das tecnologias de upscaling. A AMD tem o seu próprio FSR 4 (FidelityFX Super Resolution 4), lançado com as Radeons RDNA 4 (série RX 9000), que também usa IA — mas com modelos menos robustos e, até o momento, com qualidade de imagem inferior ao DLSS 5 em testes independentes. O Intel tem o XeSS, que também roda em hardware de terceiros via DP4a. O DLSS, porém, segue sendo o padrão ouro em qualidade, especialmente com o Neural Rendering do DLSS 5.
| Tecnologia | Desenvolvedor | Hardware Nativo | Compatibilidade | Geração de IA |
|---|---|---|---|---|
| DLSS 5 | NVIDIA | RTX 20 em diante | Apenas NVIDIA (oficialmente) | Neural Rendering completo |
| FSR 4 | AMD | RX 9000 (RDNA 4) | Qualquer GPU (open source) | IA com modelos menores |
| XeSS 2 | Intel | Arc Battlemage | Qualquer GPU via DP4a | IA moderada |
| DLSS 5 via mod | Comunidade | AMD RDNA 3/4 | AMD (não oficial) | Neural Rendering adaptado |
O ponto central é que, mesmo rodando via camada de compatibilidade, o DLSS 5 adaptado para AMD pode superar o FSR 4 em qualidade de imagem — e é exatamente isso que os primeiros testes da comunidade estão sugerindo. Se o mod amadurecer, a AMD pode se ver em uma posição complicada: seus próprios usuários preferindo uma solução não oficial da concorrente à tecnologia nativa da empresa.
Em menos de 24 horas, o mod DLSS-NR-on-AMD ganhou 74% de desempenho — e isso ainda é o começo. A velocidade de evolução sugere que, em semanas, a experiência pode ser comparável ao nativo.
O que mudou nas últimas versões do mod
Segundo o TechPowerUp, as duas atualizações lançadas em um único dia trouxeram otimizações significativas na forma como os modelos de IA do DLSS 5 são executados via DirectML. O desenvolvedor trabalhou na redução do overhead de inferência — ou seja, o tempo que a GPU leva para processar os dados pela rede neural — e melhorou o pipeline de execução para aproveitar melhor os aceleradores de IA das Radeons RDNA 3 e RDNA 4.
O projeto ainda está em estágio experimental: há limitações de compatibilidade por jogo, o setup não é trivial para usuários leigos e o desempenho ainda fica abaixo do DLSS nativo em hardware NVIDIA equivalente. Mas a trajetória de evolução — 74% de ganho em um dia — indica que o teto está longe de ser atingido. Para referência, o próprio FSR levou múltiplas gerações e anos para chegar ao nível de qualidade que tem hoje.
Por que a NVIDIA não está feliz com isso — e por que pode não fazer nada
Do ponto de vista da NVIDIA, o DLSS é um dos maiores diferenciais competitivos das GeForce RTX. A empresa investiu bilhões no desenvolvimento dos Tensor Cores e dos modelos de IA do DLSS justamente para criar um ecossistema exclusivo que justifique o preço premium das suas GPUs. Ver essa tecnologia sendo portada para hardware concorrente, mesmo que de forma não oficial, é algo que a empresa claramente preferiria evitar.
No entanto, a NVIDIA enfrenta um dilema: o DLSS funciona via DLLs (bibliotecas dinâmicas) que os jogos carregam em tempo de execução. Bloquear o uso dessas DLLs em hardware não-NVIDIA exigiria mudanças nos contratos com desenvolvedores de jogos e potencialmente levantaria questões antitruste — especialmente na Europa, onde reguladores já olham com atenção para práticas de lock-in em software. Por ora, o mod opera em uma zona cinzenta que a NVIDIA provavelmente vai monitorar, mas não necessariamente atacar juridicamente de imediato.

O ângulo brasileiro: o que isso muda para quem tem uma Radeon no Brasil
No Brasil, as placas de vídeo AMD Radeon têm uma base de usuários considerável, especialmente nas faixas de preço intermediárias. A RX 7600, a RX 7700 XT e a RX 9070 têm boa penetração no mercado nacional justamente por oferecerem desempenho competitivo a preços mais acessíveis que as RTX equivalentes — uma diferença que pode chegar a R$ 800 a R$ 1.500 dependendo do modelo e da cotação do dólar.
O problema histórico de quem escolhia AMD era abrir mão do DLSS — especialmente em jogos que implementam a tecnologia melhor que o FSR. Com esse mod amadurecendo, esse trade-off começa a diminuir. Um gamer brasileiro que comprou uma RX 7800 XT por volta de R$ 2.800 a R$ 3.200 (valores aproximados de mercado em 2026) pode, em breve, ter acesso à qualidade de upscaling do DLSS 5 sem precisar trocar de hardware. Isso tem impacto direto na equação de custo-benefício na hora de montar ou atualizar um PC gamer.
Vale ressaltar que o mod ainda exige algum conhecimento técnico para configurar — não é do tipo “baixe e instale”. Mas a comunidade brasileira de modding é ativa, e tutoriais em português devem surgir rapidamente conforme o projeto ganha maturidade. Acompanhar o repositório oficial do DLSS-NR-on-AMD no GitHub é o primeiro passo para quem quiser testar.
O que isso significa para o futuro do upscaling
Se o mod continuar evoluindo nesse ritmo, as implicações vão além do benefício imediato para usuários AMD. A possibilidade de o DLSS 5 rodar em hardware genérico pressiona a NVIDIA a justificar ainda mais o preço das RTX com outros diferenciais — como o Frame Generation exclusivo de hardware (que ainda depende dos Optical Flow Accelerators das RTX) e funcionalidades como o RTX Neural Shaders. Ao mesmo tempo, pressiona a AMD a acelerar o desenvolvimento do FSR 4 e de futuras iterações para não perder relevância nem dentro do seu próprio ecossistema.
Para a comunidade de PC gaming como um todo, é uma notícia positiva: mais competição e mais opções significam, historicamente, melhores produtos e preços mais razoáveis. E no Brasil, onde cada real conta na hora de montar a máquina dos sonhos, qualquer avanço que nivele o campo de jogo entre AMD e NVIDIA merece atenção.
O que isso significa para você
- Gamer com AMD Radeon (RDNA 3 ou RDNA 4): Fique de olho no projeto DLSS-NR-on-AMD. Se você joga títulos que implementam DLSS melhor que FSR — como Cyberpunk 2077 ou Alan Wake 2 — em breve pode ter acesso à melhor qualidade de upscaling disponível sem trocar de GPU. Ainda requer paciência e algum conhecimento técnico, mas a evolução é rápida.
- Quem está decidindo entre AMD e NVIDIA agora: O gap do DLSS como vantagem exclusiva da NVIDIA está diminuindo. Se o preço de uma Radeon equivalente for significativamente menor no seu orçamento, vale considerar esperar o mod amadurecer antes de decidir. Mas para quem precisa do DLSS funcionando hoje, sem configuração extra, NVIDIA ainda é a escolha mais segura.
- Criador de conteúdo e streamer: O DLSS 5 com Neural Rendering pode melhorar a qualidade visual das suas gravações e streams sem custo de desempenho. Se você usa AMD e edita em jogos com suporte a DLSS, o mod pode ser um upgrade gratuito de qualidade — quando estiver estável o suficiente para uso em produção.
- Entusiasta de custo-benefício: Essa é a notícia mais relevante do trimestre para quem monta PC com orçamento controlado. Uma RX 9070 com DLSS 5 funcional via mod pode representar um valor absurdo frente a uma RTX 5070 que custa significativamente mais no mercado brasileiro. Monitore a evolução do projeto nos próximos 30 a 60 dias.
Veredito editorial: O avanço do mod DLSS-NR-on-AMD é um dos desenvolvimentos mais empolgantes da cena de hardware em 2026. Não é um produto acabado — ainda há rugosidades, limitações por jogo e necessidade de configuração manual. Mas a velocidade de evolução (74% de ganho em 24 horas) sugere que estamos a semanas, não meses, de algo que pode genuinamente mudar a conversa sobre qual GPU comprar no Brasil. Acompanhe de perto.



