RX 6500 XT e GTX 1650 Super em 2026: ainda valem a pena?

RX 6500 XT e GTX 1650 Super em 2026: ainda valem a pena?

Placas de vídeo com 4 GB de VRAM eram o pesadelo dos gamers já em 2022. Em 2026, com texturas em alta resolução, shaders cada vez mais pesados e jogos que tratam 8 GB como mínimo absoluto, a pergunta parece ter resposta óbvia — mas o Tom’s Hardware resolveu testar exatamente isso. A publicação pegou uma Radeon RX 6500 XT e uma GeForce GTX 1650 Super para verificar se ainda conseguem entregar uma experiência jogável nos títulos atuais, e o resultado é mais nuançado do que você esperaria.

O timing do teste não é por acaso: a AMD acaba de anunciar a RX 9050 com apenas 4 GB de VRAM, quebrando a tendência de toda GPU lançada desde 2022 vir com pelo menos 6 GB ou 8 GB. Isso reacendeu o debate sobre o mínimo viável de memória de vídeo — e jogou luz sobre um segmento enorme do mercado brasileiro, onde GPUs de entrada dominam as lan houses, os setups modestos e as primeiras montagens de quem quer sair do onboard.

Se você ainda usa uma dessas placas, está pensando em comprar uma GPU barata de segunda mão, ou quer entender o que a decisão da AMD com a RX 9050 significa na prática, este é o seu artigo.

O contexto: por que testar GPUs de 4 GB em 2026?

A RX 6500 XT foi lançada em janeiro de 2022 já sendo alvo de críticas severas: barramento de memória de apenas 64 bits, sem suporte a codificação de hardware via PCIe (só PCIe 4.0 x4 com desempenho degradado em slots x4 ou menos), e 4 GB de GDDR6 que já pareciam insuficientes naquele momento. A GTX 1650 Super, lançada em novembro de 2019, tinha 4 GB de GDDR6 em barramento de 128 bits — mais generosa na largura de banda — e gerou menos polêmica, sendo bem recebida como opção de entrada da época.

Ambas sobreviveram porque o mercado de entrada é gigantesco. No Brasil, onde o câmbio torna GPUs de ponta inacessíveis para a maioria, placas nessa faixa de preço ainda circulam em grande volume no mercado de usados. E com a RX 9050 de 4 GB chegando como produto novo em 2026, a AMD está essencialmente apostando que esse segmento ainda tem futuro — desde que o upscaling (técnicas como FSR e DLSS que reconstroem a imagem a partir de uma resolução menor) cubra as limitações de VRAM e desempenho bruto.

Radeon RX 6500 XT: 4 GB de GDDR6 em barramento de 64 bits
Radeon RX 6500 XT: 4 GB de GDDR6 em barramento de 64 bits

Ficha técnica comparativa

EspecificaçãoRX 6500 XTGTX 1650 Super
LançamentoJaneiro 2022Novembro 2019
ArquiteturaRDNA 2 (Navi 24)Turing (TU116)
VRAM4 GB GDDR64 GB GDDR6
Barramento de memória64 bits128 bits
Largura de banda~144 GB/s~192 GB/s
TDP107 W100 W
Suporte a upscalingFSR (qualquer GPU)DLSS 2.x / FSR
Preço médio usado (BR)R$ 500–750R$ 450–650

A diferença no barramento de memória é o ponto mais crítico da comparação: o barramento de 64 bits da RX 6500 XT é um gargalo real em cenários que exigem muita movimentação de dados — exatamente o que acontece quando a VRAM estoura e o driver começa a usar a RAM do sistema como extensão.

O que os testes revelaram: upscaling muda o jogo

Segundo o Tom’s Hardware, o foco dos testes foi justamente em títulos de esports e jogos menos exigentes — o que faz todo o sentido estratégico. Em Valorant, CS2, League of Legends e similares, ambas as placas ainda entregam framerates acima de 60 FPS em 1080p com configurações médias, e a RX 6500 XT consegue usar o FSR (FidelityFX Super Resolution) da AMD para estender a vida útil em resoluções mais altas.

A GTX 1650 Super, por sua vez, ainda conta com DLSS 2.x nos jogos compatíveis — uma vantagem qualitativa sobre o FSR em termos de nitidez de imagem, embora o FSR 3.x tenha fechado parte dessa distância. Em jogos AAA modernos, porém, o cenário muda radicalmente: títulos como Cyberpunk 2077, Alan Wake 2 e similares simplesmente não rodam bem com 4 GB de VRAM em 1080p médio/alto, mesmo com upscaling ativo, porque o próprio processo de upscaling consome memória.

“Praticamente toda GPU lançada desde 2022 tem pelo menos 6 GB ou 8 GB de VRAM — mas a AMD está quebrando essa tendência em 2026 com a nova RX 9050 de 4 GB.”

Tom’s Hardware

O ponto central do teste é este: para esports e lan houses, essas placas ainda funcionam. Para quem quer jogar os lançamentos mais pesados de 2025/2026 em qualidade decente, não funcionam — e o upscaling resolve parte do problema de desempenho bruto, mas não resolve o problema de VRAM quando o jogo simplesmente não cabe na memória disponível.

A aposta arriscada da AMD com a RX 9050 de 4 GB

É aqui que a análise fica mais interessante. A AMD está lançando a RX 9050 — baseada na arquitetura RDNA 4 — com apenas 4 GB de VRAM em 2026. A lógica da empresa é que o FSR 4, com qualidade de imagem significativamente melhorada em relação às versões anteriores, permite que a GPU opere em resoluções internas menores e entregue imagens aceitáveis em 1080p e até 1440p sem precisar de mais memória.

O teste com a RX 6500 XT e a GTX 1650 Super serve como prova de conceito — e os resultados são um argumento duplo. Por um lado, mostram que o upscaling de fato estende a viabilidade de GPUs com pouca VRAM em cenários específicos. Por outro, deixam claro que essa estratégia tem um teto: quando o jogo exige mais VRAM do que a placa tem, nenhuma técnica de upscaling resolve, porque o problema não é de desempenho de shading, mas de capacidade física de armazenar texturas e dados de cena.

Desempenho comparativo em esports: RX 6500 XT vs GTX 1650 Super
Desempenho comparativo em esports: RX 6500 XT vs GTX 1650 Super

A NVIDIA, por comparação, não lançou nenhuma GPU de entrada com menos de 8 GB de VRAM na geração RTX 50 — o que posiciona a RX 9050 de 4 GB como uma aposta isolada da AMD no segmento de ultra-entrada, provavelmente mirando exatamente o mercado de lan houses e montagens de custo mínimo onde essas placas antigas ainda dominam.

Ângulo brasileiro: o mercado de GPUs usadas e a realidade do gamer daqui

No Brasil, a conversa sobre GPUs de 4 GB tem um peso diferente. Com o câmbio atual e a carga tributária sobre eletrônicos importados, uma placa de vídeo de entrada nova custa proporcionalmente muito mais do que nos EUA ou Europa. Uma RX 7600 com 8 GB de VRAM, por exemplo, dificilmente sai abaixo de R$ 1.800–2.200 no varejo nacional. Já uma RX 6500 XT ou GTX 1650 Super usada pode ser encontrada entre R$ 450 e R$ 750 — menos da metade.

Isso cria um cenário onde essas placas continuam circulando em volume enorme no mercado secundário brasileiro. Para quem monta um PC pela primeira vez, sai do processador gráfico integrado ou quer uma máquina funcional para esports sem gastar mais de R$ 1.000 na GPU, a GTX 1650 Super e a RX 6500 XT ainda aparecem como opções. E os testes do Tom’s Hardware confirmam: para esse perfil específico de uso, elas ainda entregam.

O problema é pagar preço de mercado secundário elevado por elas. Se alguém está pedindo R$ 700 ou mais por uma RX 6500 XT usada, o custo-benefício começa a desaparecer rapidamente — porque por R$ 900–1.000 já é possível encontrar uma RX 6600 com 8 GB de VRAM, que representa um salto de geração e de capacidade muito mais significativo. A regra prática: essas placas de 4 GB só fazem sentido abaixo de R$ 500–550, e mesmo assim apenas para quem joga exclusivamente esports ou títulos menos exigentes.

Comparação com a geração atual: o abismo cresceu

GPUVRAMGeraçãoPreço médio BR (2026)Indicada para
GTX 1650 Super4 GBTuring (2019)R$ 450–650 (usada)Esports 1080p
RX 6500 XT4 GBRDNA 2 (2022)R$ 500–750 (usada)Esports 1080p
RX 66008 GBRDNA 2 (2021)R$ 900–1.100 (usada)1080p médio/alto
RTX 40608 GBAda Lovelace (2023)R$ 1.700–2.0001080p/1440p alto
RX 9050 (nova)4 GBRDNA 4 (2026)A definir no BREsports + FSR 4

A tabela deixa clara a posição dessas GPUs no ecossistema atual: elas não competem com nada lançado nos últimos dois anos em termos de desempenho bruto ou capacidade de VRAM, mas ocupam uma faixa de preço que não tem equivalente novo no mercado brasileiro. É um nicho real, mas com prazo de validade.

O que isso significa para você

🎮 Gamer de esports (Valorant, CS2, LOL, Free Fire): A RX 6500 XT e a GTX 1650 Super ainda entregam 60–100+ FPS em 1080p médio nesses títulos. Se você encontrar uma por até R$ 500 em bom estado, ainda é uma compra válida para esse perfil específico. A GTX 1650 Super leva vantagem pelo barramento de 128 bits e pelo DLSS 2.x.

🎮 Gamer de AAA e lançamentos recentes: Não. Simples assim. Com 4 GB de VRAM, você vai enfrentar travamentos, stuttering e quedas de qualidade mesmo com upscaling ativo nos títulos de 2024/2025 em diante. O mínimo recomendável hoje é 8 GB de VRAM — uma GPU como a RX 6600 ou RTX 4060 é o ponto de entrada realista para jogos modernos.

🖥️ Criador de conteúdo / trabalho leve: Para edição de vídeo 1080p em Premiere ou DaVinci Resolve com projetos simples, ambas as placas ainda funcionam — mas a limitação de VRAM vai aparecer em projetos com múltiplas camadas ou efeitos pesados. Não é o uso ideal para nenhuma das duas.

💰 Custo-benefício / primeira GPU: Se o orçamento é realmente limitado (até R$ 500), essas placas ainda fazem sentido como ponto de partida para sair do gráfico integrado. Mas poupe um pouco mais e mire na RX 6600 — o salto para 8 GB de VRAM e barramento de 128 bits é transformador e vai durar muito mais tempo.

🏪 Lan house / uso comercial: Este é o cenário onde a análise do Tom’s Hardware é mais otimista. Para um parque de máquinas rodando esports em 1080p, essas placas ainda são funcionais e o custo de reposição/aquisição no mercado usado é muito mais atraente do que atualizar para GPUs modernas. O upscaling via FSR cobre boa parte das limitações nesses títulos.

No fim das contas, o teste confirma uma verdade incômoda: 4 GB de VRAM não é suficiente para o gaming moderno amplo, mas ainda é suficiente para um nicho específico e relevante. A AMD sabe disso — e é exatamente por isso que a RX 9050 de 4 GB existe. A questão é se, quando ela chegar ao Brasil com preço e disponibilidade reais, vai fazer mais sentido do que uma RX 6600 usada por preço similar. Esse será o teste que realmente vai importar para o consumidor brasileiro.

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