O DLSS 5 está no centro de mais uma polêmica envolvendo a RTX 5090: um conector derretido foi registrado durante testes da tecnologia de reconstrução neural da NVIDIA, com consumo de energia ultrapassando a marca de 600 W na placa. Segundo o TechPowerUp, o incidente ocorreu em uma MSI GeForce RTX 5090 Gaming Trio OC e foi documentado pelo Videocardz durante sessões de benchmark com o DLSS 5 ativo. O episódio acende um sinal de alerta importante: a nova geração de upscaling com inteligência artificial não é apenas uma questão de qualidade de imagem — ela tem implicações diretas e sérias no consumo elétrico do sistema.
Vale lembrar que o DicasPC já cobriu o primeiro caso de conector derretido com DLSS 5 semanas atrás. Mas este novo incidente traz um detalhe diferente: o consumo ultrapassou 600 W de forma consistente durante os testes, não apenas em picos isolados. Isso muda a conversa de “defeito de fabricação” para uma discussão mais séria sobre os limites do design térmico e elétrico da plataforma Ada Lovelace Blackwell — e o que isso significa para quem está pensando em montar ou atualizar um PC de alto desempenho no Brasil.
O que é o DLSS 5 e por que ele consome tanto?
O DLSS 5 (Deep Learning Super Sampling 5) é a mais recente iteração do sistema de upscaling com IA da NVIDIA. Diferente das versões anteriores, que reconstruíam frames a partir de amostras de pixels em resolução menor, o DLSS 5 introduz o Multi Frame Generation — uma tecnologia capaz de gerar múltiplos frames sintéticos entre cada frame renderizado nativamente. Na prática, isso pode multiplicar o framerate exibido na tela por um fator de 4x ou mais, mas exige que os Tensor Cores e os Shader Processors da GPU trabalhem em paralelo de forma muito mais intensa do que em modos convencionais.
O resultado é um pico de carga computacional que não existia nas gerações anteriores. A RTX 5090 já tem um TDP (Thermal Design Power) oficial de 575 W — o mais alto já visto em uma GPU para consumidor. Com o DLSS 5 forçando os núcleos de IA e os shaders ao mesmo tempo, o consumo pode ultrapassar esse envelope térmico projetado, chegando a 600 W ou além. O conector 16-pin (12VHPWR / 12V-2×6), que substituiu os conectores tradicionais de 8 pinos na série RTX 40 e 50, tem capacidade nominal de até 600 W — mas qualquer conexão imperfeita ou cabo de qualidade inferior pode virar um ponto de falha crítico sob essa carga.

Histórico: o problema do conector 16-pin não é novo
Para entender a gravidade do episódio, é preciso voltar a 2022, quando a NVIDIA lançou a série RTX 40 com o conector 16-pin. Desde o início, casos de conectores derretidos em RTX 4090 foram registrados globalmente — a NVIDIA investigou e atribuiu a maioria dos casos a conexões mal encaixadas, onde o conector não estava completamente assentado no slot da GPU. A empresa chegou a redesenhar o cabo e emitir orientações detalhadas de instalação. O problema, no entanto, nunca foi completamente eliminado.
Com a RTX 5090 e seu TDP ainda maior, o risco aumenta proporcionalmente. O que o incidente com o DLSS 5 adiciona à equação é um fator de software: uma carga de trabalho específica — o Multi Frame Generation em alta intensidade — pode ser suficiente para empurrar o consumo além do que o conector consegue dissipar com segurança, mesmo que esteja corretamente conectado. Isso é diferente e mais preocupante, porque tira o controle das mãos do usuário.
“Com DLSS 5 ativo, o consumo da RTX 5090 ultrapassou 600 W de forma consistente durante os testes — além do TDP oficial de 575 W da GPU.”
TechPowerUp / Videocardz, setembro de 2026
Comparativo: consumo da RTX 5090 vs. gerações anteriores
Para colocar os números em perspectiva, veja como a RTX 5090 se compara às GPUs topo de linha das últimas gerações em termos de TDP e requisitos de fonte:
| GPU | TDP Oficial | Conector | Fonte Recomendada | Geração |
|---|---|---|---|---|
| RTX 3090 Ti | 450 W | 3x 8-pin | 850 W | Ampere (2022) |
| RTX 4090 | 450 W | 16-pin | 850 W | Ada Lovelace (2022) |
| RX 7900 XTX | 355 W | 2x 8-pin | 800 W | RDNA 3 (2022) |
| RTX 5090 | 575 W | 16-pin | 1000 W | Blackwell (2025) |
| RTX 5090 + DLSS 5 | 600 W+ | 16-pin | 1200 W+ | Blackwell (2025) |
O salto de 450 W (RTX 4090) para 575 W+ (RTX 5090 com DLSS 5) representa um aumento de mais de 33% no consumo do componente mais guloso do sistema. Isso tem implicações diretas na escolha da fonte e no dimensionamento do sistema como um todo.
O papel da fonte de alimentação nesse cenário
A NVIDIA recomenda oficialmente uma fonte de 1000 W para sistemas com RTX 5090. Com o DLSS 5 empurrando o consumo acima de 600 W só na GPU, somado ao processador (que em um sistema de alto desempenho pode consumir entre 125 W e 253 W dependendo do modelo), memória RAM, SSDs e outros componentes, um sistema completo pode facilmente exigir 900 W a 1000 W de pico real. Especialistas já recomendam fontes de 1200 W ou mais para quem usa RTX 5090 com DLSS 5 ativo de forma regular.
A qualidade da fonte importa tanto quanto a potência. Uma fonte certificada 80 Plus Gold ou Platinum entrega mais eficiência na conversão de energia, gera menos calor e oferece proteções mais robustas contra sobrecorrente e sobretensão — exatamente o tipo de proteção que pode evitar que um pico de 600 W vire um conector derretido ou, pior, um componente queimado. Não é hora de economizar na fonte se você está investindo em uma GPU de R$ 15.000 a R$ 20.000.

Ângulo brasileiro: o que isso significa para quem quer uma RTX 5090 no Brasil?
A RTX 5090 é um produto de nicho extremo no Brasil. Com o câmbio atual e os impostos de importação, o preço de uma RTX 5090 no mercado nacional gira entre R$ 15.000 e R$ 22.000 dependendo do modelo e do canal de venda — quando disponível, já que o estoque é historicamente escasso. Para quem importa pelos EUA, o preço sugerido é de US$ 1.999, mas com IOF, imposto de importação e frete, o custo final raramente fica abaixo de R$ 16.000.
Agora some a isso a necessidade de uma fonte de qualidade com 1200 W ou mais (que no Brasil custa entre R$ 1.500 e R$ 3.500 para modelos premium), um gabinete com boa ventilação para dissipar o calor gerado, e eventualmente a troca do cabo 16-pin por um modelo de maior qualidade. O custo total de propriedade de um sistema com RTX 5090 no Brasil ultrapassa facilmente R$ 25.000 a R$ 30.000 só em GPU e componentes de suporte — sem contar processador, memória RAM e armazenamento.
Para o consumidor brasileiro médio, isso reforça o argumento de que a RTX 5090 é, na prática, um produto de uso profissional ou de entusiastas sem restrição orçamentária. A RTX 5080 (TDP de 360 W) ou mesmo a RTX 5070 Ti oferecem suporte ao DLSS 5 com Multi Frame Generation sem o risco associado ao consumo extremo da 5090 — e a uma fração do preço.
A NVIDIA precisa responder: é um bug ou um limite de design?
A questão central que permanece sem resposta oficial é: o DLSS 5 está causando consumo além do especificado por um bug no driver, ou o Multi Frame Generation simplesmente exige mais energia do que o envelope de design da RTX 5090 pode suportar com segurança? Se for o primeiro caso, uma atualização de driver pode resolver. Se for o segundo, a NVIDIA tem um problema estrutural nas mãos.
Até o momento da publicação desta análise, a NVIDIA não emitiu comunicado oficial sobre o incidente específico com o DLSS 5 e o conector derretido. O TechPowerUp e o Videocardz, que documentaram o caso, também não receberam resposta da empresa. O silêncio é preocupante dado o histórico de problemas com o conector 16-pin na série RTX 40 — e a empresa deveria, no mínimo, emitir orientações claras sobre o uso do DLSS 5 em cargas sustentadas.
O que isso significa para você
- 🎮 Gamer com RTX 5090: Monitore o consumo da sua GPU com ferramentas como HWiNFO64 ou MSI Afterburner enquanto usa DLSS 5 com Multi Frame Generation. Certifique-se de que o conector 16-pin está completamente encaixado e considere trocar o cabo que veio na caixa por um modelo de maior qualidade. Se sua fonte for de 1000 W, avalie o upgrade para 1200 W antes de usar o DLSS 5 em sessões longas.
- 🖥️ Criador de conteúdo: Se você usa a RTX 5090 para renderização ou IA local, o DLSS 5 provavelmente não é parte do seu fluxo de trabalho — mas o consumo elevado em cargas de IA (como geração de imagens ou vídeos) também pode ser significativo. Invista em uma fonte de alta qualidade e monitore as temperaturas do conector.
- 🤖 Trabalho com IA / Inferência local: A RTX 5090 é tentadora pelos seus 32 GB de VRAM, mas o consumo elétrico extremo torna sistemas com múltiplas GPUs praticamente inviáveis em residências com instalação elétrica padrão. Considere soluções como a AMD Radeon RX 9070 XT ou GPUs de workstation com TDP mais controlado.
- 💰 Custo-benefício: Se você está pensando em comprar uma RTX 5090 no Brasil, este incidente reforça que o momento ainda não é ideal. Aguarde um posicionamento oficial da NVIDIA sobre o DLSS 5 e os conectores, e avalie se a RTX 5080 ou 5070 Ti não entregam 90% da experiência por 50% do preço — sem o risco de hardware danificado.
A tecnologia de upscaling com IA evoluiu a ponto de desafiar os limites físicos do hardware que a executa. O DLSS 5 é genuinamente impressionante em termos de qualidade de imagem e ganho de performance — mas o episódio do conector derretido na RTX 5090 é um lembrete de que inovação acelerada demais pode criar riscos reais para o consumidor. Enquanto a NVIDIA não se pronuncia oficialmente, a recomendação é clara: use o DLSS 5 com Multi Frame Generation com cautela, especialmente em sessões longas de benchmark ou gaming intenso.



