DLSS 5 Derrete Conector da RTX 5090: o que aconteceu?

DLSS 5 Derrete Conector da RTX 5090: o que aconteceu?

A RTX 5090 voltou a dar dor de cabeça. Desta vez, o problema não é o conector 16-pin chegando mal encaixado de fábrica — é algo mais perturbador: testes com o DLSS 5, a tecnologia de geração de frames mais avançada da NVIDIA, resultaram em consumo acima de 600 W e, no caso documentado pelo TechPowerUp e pelo Videocardz, em um conector literalmente derretido em uma MSI GeForce RTX 5090 Gaming Trio OC. Não é um bug menor. É um sinal de alerta que todo entusiasta de GPU precisa entender antes de ativar a função no próprio setup.

O episódio chega em um momento sensível: o mercado de placas de vídeo de topo de linha ainda tenta se recuperar da escassez e dos preços inflados da geração Blackwell, e a promessa do DLSS 5 era justamente ser o argumento definitivo para quem estava em cima do muro sobre atualizar o hardware. O que os testes revelam, porém, é que a tecnologia ainda esconde riscos reais — especialmente para quem não tem uma fonte dimensionada corretamente.

O que é o DLSS 5 e por que ele consome tanto?

Para entender o problema, é preciso recapitular o que o DLSS 5 (Deep Learning Super Sampling 5) faz de diferente. As versões anteriores — DLSS 2 e 3 — já usavam redes neurais para reconstruir frames e, no caso do DLSS 3, gerar frames intermediários via Frame Generation. O DLSS 4 expandiu isso com Multi Frame Generation (MFG), capaz de inserir até 3 frames sintéticos por frame renderizado nativamente. O DLSS 5 vai além: combina MFG com reconstrução neural ainda mais agressiva, delegando ao chip de IA (Tensor Cores da arquitetura Blackwell) um volume de cálculo significativamente maior por ciclo.

O ponto crítico é que os Tensor Cores e os Shader Cores da GPU trabalham em paralelo durante o processo. Quando o DLSS 5 está ativo em modo máximo, a carga sobre o silício não cai como se esperaria de uma técnica de “upscaling” — ela sobe, porque o chip está ao mesmo tempo renderizando o frame base e processando a rede neural de geração. Segundo o TechPowerUp, durante os testes o consumo da RTX 5090 ultrapassou os 600 W, número que está bem acima do TDP oficial de 575 W já declarado pela NVIDIA para o modelo — e que por si só já é o maior TDP já visto em uma GPU de consumo.

Conector 16-pin derretido na MSI RTX 5090 Gaming Trio OC durante testes com DLSS 5
Conector 16-pin derretido na MSI RTX 5090 Gaming Trio OC durante testes com DLSS 5

O conector 16-pin: um problema que se recusa a desaparecer

O conector 16-pin (12VHPWR / 12V-2×6) foi introduzido com a geração Ada Lovelace (RTX 40) justamente para suportar cargas de até 600 W em um único cabo — substituindo a necessidade de múltiplos conectores de 8 pinos. Na teoria, é uma solução elegante. Na prática, a geração RTX 40 já registrou dezenas de casos de conectores derretidos, principalmente quando os cabos eram dobrados em ângulo agudo logo após a saída da GPU, comprometendo o contato elétrico e gerando resistência adicional — calor localizado, fusão do plástico, danos permanentes.

A NVIDIA e os parceiros AIB (fabricantes de terceiros como MSI, ASUS, Gigabyte) revisaram o design do conector na geração RTX 50 com o padrão 12V-2×6, supostamente mais robusto. O caso documentado agora sugere que, quando o consumo real ultrapassa o envelope projetado — como acontece com o DLSS 5 empurrando a GPU além dos 575 W nominais — mesmo o conector revisado pode não aguentar. O problema não é necessariamente de projeto do conector, mas de uma combinação de pico de consumo + qualidade do cabo do adaptador + temperatura ambiente.

“O DLSS 5 parece estar contribuindo para um aumento no consumo de energia, e agora temos nossa primeira vítima” — TechPowerUp, setembro de 2026.

Comparativo de consumo: DLSS 5 vs. gerações anteriores

Tecnologia GPU de referência TDP oficial Consumo pico (estimado) Conector
DLSS 2 / sem MFG RTX 3090 Ti 450 W ~470 W 3x 8-pin
DLSS 3 (Frame Gen) RTX 4090 450 W ~480 W 16-pin (12VHPWR)
DLSS 4 (Multi Frame Gen) RTX 5090 575 W ~590 W 16-pin (12V-2×6)
DLSS 5 (máximo) RTX 5090 575 W >600 W 16-pin (12V-2×6)

Os dados de consumo com DLSS 4 e 5 são baseados nas medições publicadas pelo TechPowerUp. Os valores das gerações anteriores são referências consolidadas de múltiplos reviews. O salto de 575 W para mais de 600 W pode parecer pequeno em termos percentuais (~4-5%), mas é suficiente para ultrapassar o limite de segurança do conector e para exigir que a fonte do sistema entregue picos que muitos modelos de 850 W ou 1000 W simplesmente não sustentam de forma estável.

Por que isso é especialmente relevante para o Brasil

No Brasil, a RTX 5090 chegou com preços que variam entre R$ 18.000 e R$ 25.000 dependendo do modelo AIB e do câmbio no momento da importação — valores que já incluem o ICMS, o IOF sobre a remessa cambial e a margem do distribuidor. Quem desembolsou esse montante para ter a GPU mais poderosa do mercado certamente não quer ver o conector derreter após algumas sessões de benchmark com DLSS 5 ativado.

Além disso, a infraestrutura elétrica residencial brasileira adiciona uma camada de risco. Instalações antigas com fiação subdimensionada, estabilizadores de qualidade questionável e tomadas de 20 A compartilhadas com outros equipamentos criam um ambiente menos controlado do que um laboratório de testes europeu ou americano. Picos de consumo acima de 600 W em um sistema com outros componentes (processador, armazenamento, iluminação RGB) podem facilmente chegar a 750-800 W no total — o que exige uma fonte de pelo menos 1000 W com certificação 80 Plus Gold ou superior e cabeamento interno de qualidade.

Setup de alto desempenho com RTX 5090 — fonte e cabeamento adequados são críticos
Setup de alto desempenho com RTX 5090 — fonte e cabeamento adequados são críticos

A NVIDIA tem responsabilidade nisso?

Esta é a pergunta que a comunidade está fazendo. Do ponto de vista técnico, a NVIDIA especificou o TDP da RTX 5090 em 575 W — e o DLSS 5 é um software/firmware que a própria empresa distribui. Se o uso de uma funcionalidade oficial empurra o consumo além do envelope declarado pelo fabricante, há um problema de comunicação no mínimo, e potencialmente de engenharia.

Por outro lado, os fabricantes AIB como a MSI têm seus próprios perfis de power limit nos modelos OC (overclocked de fábrica). O Gaming Trio OC, especificamente, já vem com limites de potência elevados em relação ao modelo Founders Edition. É possível que a combinação de perfil OC + DLSS 5 + temperatura ambiente elevada tenha criado a tempestade perfeita para o conector ceder. Até o momento da publicação desta matéria, nem a NVIDIA nem a MSI emitiram comunicado oficial sobre o incidente.

O que fazer se você tem uma RTX 5090 (ou pretende comprar uma)

  • Verifique o cabo adaptador: se você usa o adaptador que vem na caixa (de múltiplos 8-pin para 16-pin), certifique-se de que ele não está dobrado em ângulo agudo perto do conector da GPU. A dobra compromete o contato e gera resistência elétrica.
  • Use cabo nativo 16-pin da fonte: fontes modernas como a Corsair HX1500i, a be quiet! Dark Power 13 e a FSP Mega GM 1200W já incluem cabo 16-pin nativo — sem adaptador, sem ponto de falha intermediário.
  • Monitore o consumo: ferramentas como HWiNFO64 e GPU-Z mostram o consumo em tempo real. Se você vir a RTX 5090 consistentemente acima de 580 W com DLSS 5, considere limitar o power limit via MSI Afterburner ou NVIDIA App.
  • Tenha uma fonte com folga real: para um sistema com RTX 5090 e um processador de topo (Intel Core Ultra 9 ou AMD Ryzen 9 9950X), uma fonte de 1200 W a 1500 W com certificação 80 Plus Platinum ou Titanium não é exagero — é prudência.
  • Evite perfis OC extremos com DLSS 5 ativo: até que a NVIDIA esclareça os limites de consumo da tecnologia, combinar overclock de fábrica agressivo com DLSS 5 em modo máximo é o cenário de maior risco.

Civilization 7 no Atomic Age e outros destaques da semana

Enquanto o hardware de ponta gera polêmica, o mundo dos games também trouxe novidades relevantes. O PC Gamer revelou que o Civilization 7 receberá a Era Atômica em 2027 via atualização gratuita que, segundo a Firaxis, será ainda maior em escopo do que o Test of Time lançado no ano passado. A primeira expansão paga, chamada Earthrise, também foi anunciada. Para quem esperava mais conteúdo após o lançamento polêmico do Civ 7 — que chegou sem algumas eras históricas tradicionais da franquia —, a notícia é bem-vinda, ainda que o prazo de 2027 exija paciência.

O que isso significa para você

Se você é gamer com RTX 5090: não desative o DLSS 5 necessariamente — mas monitore o consumo e garanta que seu cabo 16-pin está em perfeitas condições. Se você usa adaptador multi-8-pin, considere trocar por uma fonte com cabo nativo. O ganho de frames do DLSS 5 é real e impressionante; o risco é gerenciável com a infraestrutura correta.

Se você está pensando em comprar uma RTX 5090: aguarde um posicionamento oficial da NVIDIA sobre os limites de consumo do DLSS 5. Não é que a GPU seja defeituosa — é que o ecossistema ao redor dela (fonte, cabo, perfil de potência) precisa estar à altura. No Brasil, com o preço acima de R$ 18.000, qualquer dano por conector derretido é uma tragédia financeira.

Se você é criador de conteúdo ou trabalha com IA local: o caso reforça a importância de fontes superdimensionadas em workstations. Se você usa a RTX 5090 para renderização ou inferência de modelos de linguagem locais, o DLSS 5 provavelmente não é relevante para o seu fluxo — mas o consumo elevado da GPU sob carga máxima de compute segue sendo uma realidade que exige planejamento de infraestrutura.

Custo-benefício: para a esmagadora maioria dos gamers brasileiros, a RTX 5090 nunca foi uma opção realista — e este episódio não muda esse cenário. O que o caso ensina, porém, vale para qualquer GPU de alto consumo: nunca subestime a fonte e o cabeamento. Uma GPU de R$ 3.000 com uma fonte inadequada pode ter o mesmo fim trágico que a RTX 5090 mais cara do mercado.

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