Escassez de RAM pode durar anos: o que isso significa para você

Escassez de RAM pode durar anos: o que isso significa para você

Se você está planejando montar ou atualizar um PC gamer nos próximos anos, prepare-se para uma notícia que pode impactar diretamente o seu bolso: segundo reportagem do The Verge, baseada em dados do Nikkei Asia, a escassez global de memória RAM pode se estender até pelo menos 2027 — e as perspectivas não são das melhores. Mesmo com fabricantes aumentando sua capacidade de produção de DRAM, as estimativas apontam que a indústria conseguirá atender apenas cerca de 60% da demanda até o final de 2027. Um cenário preocupante para consumidores, gamers e empresas de tecnologia ao redor do mundo.

O presidente do grupo SK, um dos maiores fabricantes de semicondutores do planeta, chegou a declarar publicamente que a escassez pode se prolongar por anos. O principal motor desse desequilíbrio entre oferta e demanda é o crescimento explosivo da inteligência artificial: data centers modernos demandam quantidades absurdas de memória de alta largura de banda (HBM) para alimentar modelos de linguagem e sistemas de IA generativa, competindo diretamente com a produção de módulos DDR5 destinados ao mercado consumidor. O resultado? Menos memória RAM disponível para quem quer montar ou atualizar um computador.

E como se não bastasse, uma notícia do Adrenaline revelou que a Samsung teria encerrado encomendas de memórias LPDDR4 e LPDDR4X, redirecionando sua capacidade produtiva para componentes com maior margem de lucro — como os módulos HBM usados em GPUs de IA. Essa combinação de fatores cria uma tempestade perfeita para a alta de preços e a redução de disponibilidade de RAM no mercado global, com reflexos diretos no Brasil.

Por que a IA está engolindo toda a memória do mundo?

Para entender a raiz do problema, é preciso olhar para o que aconteceu com o mercado de semicondutores nos últimos dois anos. O boom da inteligência artificial, impulsionado por modelos como o ChatGPT, Gemini e outros sistemas de IA generativa, criou uma demanda sem precedentes por chips de memória de altíssima performance. As GPUs utilizadas em data centers — como as NVIDIA H100 e H200 — precisam de enormes quantidades de memória HBM (High Bandwidth Memory), que é produzida nas mesmas fábricas que fabricam os módulos DDR5 para computadores domésticos.

Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron estão priorizando a produção de HBM porque a margem de lucro é significativamente maior do que a dos módulos DDR5 convencionais. Isso significa que, mesmo que a capacidade total de produção de DRAM aumente, uma fatia crescente dessa produção vai direto para os data centers das big techs — e não para as prateleiras das lojas de hardware. O consumidor final acaba disputando uma fatia cada vez menor do bolo.

Impacto direto no mercado brasileiro de hardware

Para o público brasileiro, a situação tem um agravante extra: além da escassez global, o real desvalorizado frente ao dólar faz com que qualquer aumento de preço internacional seja amplificado na conversão para reais. Quem acompanha o mercado de hardware sabe que os preços de memória RAM já vinham subindo ao longo de 2025, e a tendência é que essa pressão continue em 2026 e 2027.

Alguns impactos práticos que podemos esperar nos próximos meses e anos:

  • Aumento progressivo nos preços de kits DDR5: módulos que hoje custam entre R$ 300 e R$ 600 podem sofrer reajustes significativos ao longo de 2026.
  • Menor disponibilidade de kits de alta capacidade: módulos de 32 GB e 64 GB por pente tendem a ser os mais afetados, já que exigem processos de fabricação mais avançados.
  • Pressão sobre o mercado de notebooks: os chips LPDDR4X e LPDDR5, usados em laptops, também devem ficar mais escassos com o encerramento de encomendas pela Samsung.
  • Reflexo nos preços de PCs pré-montados: quem compra um computador gamer já montado também sentirá o impacto, já que os integradores repassam os custos de componentes.

DDR4 ainda é uma boa saída?

Com a escassez se concentrando principalmente no segmento DDR5, muitos usuários se perguntam se vale a pena migrar para plataformas mais antigas que ainda usam DDR4 — ou se é melhor esperar. A resposta depende muito do seu cenário atual. Se você já tem um sistema funcionando com DDR4 e uma placa-mãe compatível, pode ser uma boa estratégia aproveitar os preços ainda relativamente estáveis dos kits DDR4 para expandir sua memória agora, antes que o efeito cascata da escassez chegue também a esse segmento.

Por outro lado, quem está montando um PC do zero em 2026 provavelmente vai optar por plataformas AM5 (AMD) ou Intel Core de 13ª/14ª geração, que já trabalham nativamente com DDR5. Nesse caso, comprar os módulos de memória o quanto antes pode ser uma decisão financeiramente inteligente, antes que os preços subam ainda mais.

O que dizem os fabricantes sobre a situação?

Segundo o Nikkei Asia, citado pelo The Verge, mesmo com os investimentos bilionários em novas fábricas de semicondutores — os chamados fabs — o tempo necessário para colocar uma nova linha de produção em operação é de vários anos. Isso significa que, mesmo que Samsung, SK Hynix e Micron anunciem hoje a construção de novas instalações, os frutos dessas decisões só chegarão ao mercado entre 2027 e 2028, na melhor das hipóteses.

O chairman do SK Group foi direto ao ponto ao afirmar que a escassez pode durar anos. Essa declaração é especialmente relevante porque a SK Hynix é atualmente a maior fabricante de chips HBM do mundo, fornecendo para a NVIDIA. Ou seja, a empresa tem uma visão privilegiada do mercado e sabe exatamente para onde está indo a capacidade produtiva global de DRAM.

ASUS e ASRock apostam em HUDIMM: uma solução para o futuro?

Em meio a esse cenário desafiador, o Adrenaline também noticiou que a ASUS está trabalhando em suporte para módulos HUDIMM, um novo padrão de memória DDR5 mais econômico desenvolvido pela ASRock. O HUDIMM (Half UDIMM) promete oferecer desempenho competitivo com custo de produção reduzido, o que poderia ajudar a aliviar a pressão sobre os preços no mercado consumidor.

Essa é uma das apostas da indústria para democratizar o acesso à memória DDR5 sem depender exclusivamente dos módulos UDIMM tradicionais. Se o padrão ganhar tração entre os fabricantes de placas-mãe e de memória, pode representar uma válvula de escape interessante para consumidores que precisam de mais RAM sem pagar um preço absurdo. Ainda é cedo para saber se o HUDIMM vai se tornar mainstream, mas o interesse de gigantes como ASUS é um sinal positivo.

Quanto de RAM você realmente precisa em 2026?

Diante desse cenário, uma dúvida prática surge: qual é a quantidade ideal de memória RAM para um PC gamer em 2026? Veja um guia rápido:

  • 16 GB (2×8 GB): ainda funcional para jogos menos exigentes e uso cotidiano, mas já começa a mostrar limitações em títulos AAA modernos que pedem 12 GB ou mais de RAM.
  • 32 GB (2×16 GB): o ponto ideal para gamers em 2026. Garante boa performance nos jogos mais pesados, multitarefa fluida e ainda deixa margem para o futuro.
  • 64 GB (2×32 GB): recomendado para criadores de conteúdo, streamers e quem trabalha com edição de vídeo ou modelagem 3D além de jogar.

Vale lembrar que, além da quantidade, a velocidade e a latência dos módulos importam bastante para o desempenho geral do sistema. Em plataformas AMD AM5, por exemplo, a memória DDR5 em modo EXPO com frequências acima de 6000 MHz faz diferença real nos benchmarks e na experiência de jogo — especialmente quando combinada com um bom processador Ryzen 7000 ou Ryzen 9000.

Vale a pena comprar memória RAM agora ou esperar?

Essa é a pergunta de um milhão de reais — literalmente. Com base nos dados disponíveis, a tendência é de que os preços de memória RAM continuem subindo ao longo de 2026 e 2027. Quem precisa expandir ou atualizar a memória do seu sistema, portanto, tem boas razões para não adiar essa compra. Esperar pode significar pagar mais caro pelo mesmo produto daqui a alguns meses.

Se você está nessa situação, vale conferir as opções disponíveis na Terabyte Shop. A loja conta com um catálogo completo de memória RAM DDR4 e DDR5 de marcas confiáveis como Kingston, Corsair, G.Skill e XPG, com boa disponibilidade e preços competitivos. Aproveite enquanto os estoques estão normalizados — porque, se as previsões se confirmarem, o cenário pode ser bem diferente no segundo semestre de 2026.

Conclusão: fique de olho no mercado de memórias

A escassez de RAM é um problema estrutural que vai além de uma simples flutuação de mercado. A demanda da inteligência artificial por memória de alta performance está remodelando toda a cadeia produtiva de semicondutores, com consequências diretas para o consumidor final. O cenário projetado pelo Nikkei Asia e confirmado por executivos do setor aponta para anos de desequilíbrio entre oferta e demanda — e o Brasil, com suas particularidades cambiais, tende a sentir esse impacto de forma amplificada.

Para quem está montando ou atualizando um PC gamer, a recomendação é clara: se você precisa de mais RAM, não espere. Pesquise, compare preços e faça a compra enquanto as condições ainda são favoráveis. E fique atento às novidades sobre o padrão HUDIMM, que pode trazer uma alternativa mais acessível ao mercado DDR5 nos próximos meses. Aqui no DicasPC, continuaremos monitorando esse mercado de perto para trazer as melhores informações e recomendações para você.

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