Um chip misterioso acaba de aparecer em bancos de dados de benchmarks e virou o assunto da semana no mundo do hardware: uma APU AMD baseada na arquitetura Zen 6 com nada menos que 24 GB de memória LPDDR5 rodando a 9.600 MT/s. A amostra de engenharia (engineering sample) ainda não tem nome oficial, mas as especificações levantam uma pergunta que todo gamer portátil quer responder: estamos olhando para o chip do próximo Steam Deck — ou de algum outro handheld de nova geração? Segundo o Tom’s Hardware, que primeiro reportou a aparição nos benchmarks, a conexão com um futuro Steam Deck ainda não está confirmada, mas as evidências circunstanciais são difíceis de ignorar.
O timing é relevante. A Valve nunca escondeu que o Steam Deck atual — equipado com a APU Van Gogh, baseada em Zen 2 e RDNA 2 — já está envelhecendo. Lançado em 2022, o hardware foi revolucionário para o segmento de handhelds gamer, mas a concorrência avançou: o ROG Ally X, o Lenovo Legion Go S e outros dispositivos com chips AMD mais recentes já entregam desempenho bem superior. Um salto para Zen 6 com 24 GB de RAM unificada seria, literalmente, uma geração inteira à frente do que existe hoje no mercado portátil.
O que sabemos sobre a APU Zen 6 misteriosa
As especificações que vazaram nos benchmarks são modestas em núcleos de CPU, mas impressionantes em outros aspectos. O chip conta com seis núcleos Zen 6, uma GPU integrada com clock de 2,4 GHz e os já mencionados 24 GB de LPDDR5 a 9.600 MT/s. Esse perfil — poucos núcleos de CPU, GPU poderosa e muita memória unificada de alta velocidade — é exatamente o que você esperaria de uma APU projetada para gaming portátil, não para um desktop ou laptop convencional.
Para contextualizar: o chip Van Gogh do Steam Deck atual tem 4 núcleos Zen 2, GPU RDNA 2 com 8 CUs e apenas 16 GB de LPDDR5 compartilhada entre CPU e GPU. A APU Zen 6 misteriosa já traz 50% mais memória, uma arquitetura de CPU pelo menos duas gerações à frente e um clock de GPU significativamente mais alto. Mesmo sem saber o número de Compute Units da GPU integrada — dado que não apareceu nos benchmarks vazados — o salto potencial é enorme.

| Especificação | APU Van Gogh (Steam Deck atual) | APU Zen 6 Misteriosa |
|---|---|---|
| Arquitetura CPU | Zen 2 | Zen 6 |
| Núcleos CPU | 4 | 6 |
| Arquitetura GPU | RDNA 2 (8 CUs) | Desconhecida (2,4 GHz) |
| Memória | 16 GB LPDDR5 | 24 GB LPDDR5 |
| Velocidade da RAM | ~6.400 MT/s | 9.600 MT/s |
| Aplicação provável | Handheld / Steam Deck | Handheld (especulado) |
Por que 24 GB de memória unificada muda o jogo
Em uma APU, a memória RAM é compartilhada entre o processador e a GPU integrada — o que os engenheiros chamam de memória unificada (unified memory). Isso significa que, ao contrário de um PC desktop onde a GPU tem sua própria VRAM separada, aqui todo o pool de 24 GB fica disponível tanto para o sistema operacional e os jogos quanto para os shaders e texturas da GPU. Na prática, isso elimina o gargalo clássico de handhelds: ficar sem VRAM para rodar jogos com texturas em alta resolução.
O Steam Deck atual, com seus 16 GB, já consegue rodar a maioria dos jogos bem — mas títulos mais pesados como Cyberpunk 2077 ou Alan Wake 2 exigem configurações bem reduzidas. Com 24 GB, um futuro handheld poderia trabalhar com texturas em qualidade média-alta sem sacrificar a estabilidade do sistema. Além disso, o aumento da velocidade da memória de ~6.400 MT/s para 9.600 MT/s representa um ganho de largura de banda de quase 50% — e em APUs, largura de banda de memória é diretamente proporcional ao desempenho gráfico.
“A APU Zen 6 misteriosa traz 50% mais memória e quase 50% mais largura de banda que o chip do Steam Deck atual — em um handheld, isso se traduz diretamente em mais frames e texturas mais detalhadas.”
Zen 6: o que esperar da nova arquitetura AMD
A arquitetura Zen 6 é a próxima grande evolução da AMD para processadores de consumo. Embora os detalhes completos ainda não tenham sido revelados oficialmente, informações que circulam na comunidade técnica — incluindo dados divulgados pelo criador da ferramenta Hydra Tool, reportados pelo Wccftech — sugerem ganhos expressivos de IPC (instruções por ciclo) em relação ao Zen 5. Para dar uma dimensão: um chip Zen 6 com 12 núcleos poderia igualar o desempenho multithread de um Ryzen 9 9950X com 16 núcleos Zen 5. Aplicado a uma APU de 6 núcleos para handheld, isso significa que mesmo com metade dos cores de um chip desktop topo de linha atual, o desempenho em tarefas do sistema seria muito competitivo.
O clock de GPU de 2,4 GHz também chama atenção. A GPU integrada do Steam Deck atual opera em torno de 1,6 GHz. Um clock 50% mais alto, combinado com o que provavelmente será uma arquitetura RDNA 4 ou posterior, poderia resultar em um salto de desempenho gráfico substancial — potencialmente suficiente para rodar jogos em 1080p com configurações médias, algo que o Steam Deck atual raramente consegue de forma estável.

Steam Deck 2 ou outro handheld? O que as evidências dizem
A Valve tem sido deliberadamente discreta sobre o Steam Deck 2. Em entrevistas, executivos da empresa disseram repetidamente que um sucessor só viria quando houvesse um salto tecnológico significativo o suficiente para justificar a troca — e que não queriam fragmentar a base de usuários com atualizações incrementais. Uma APU Zen 6 com 24 GB de LPDDR5 a 9.600 MT/s certamente se qualificaria como esse salto.
Por outro lado, o perfil do chip também se encaixa em fabricantes como ASUS (ROG Ally), Lenovo (Legion Go) ou MSI (Claw), todos ávidos por qualquer vantagem competitiva que a AMD possa oferecer. A AMD tem um histórico de desenvolver APUs customizadas para parceiros específicos — foi assim com o chip do Steam Deck original, e também com os chips do PlayStation 5 e Xbox Series X. Um engineering sample com esse perfil pode muito bem ser um protótipo destinado a múltiplos clientes ao mesmo tempo.
O que se sabe é que nenhuma confirmação oficial foi feita pela AMD, Valve ou qualquer outro fabricante. O chip apareceu em benchmarks — provavelmente Geekbench ou similar, embora o Tom’s Hardware não tenha especificado a plataforma — o que é comum com amostras de engenharia que circulam em laboratórios de desenvolvimento meses ou até anos antes do produto final chegar ao mercado.
Ângulo brasileiro: o que um novo Steam Deck significaria por aqui
O Steam Deck nunca foi oficialmente vendido no Brasil pela Valve — e provavelmente um futuro modelo também não será, pelo menos não de imediato. O modelo atual chega ao país via importação, e o preço é salgado: o Steam Deck OLED de 512 GB, que custa US$ 549 nos EUA, aparece em plataformas de importação brasileiras por valores entre R$ 4.500 e R$ 6.000, dependendo da cotação do dólar e dos impostos de importação (que incluem o Imposto de Importação de 20% mais o ICMS estadual, que pode chegar a 17% em São Paulo).
Um Steam Deck 2 — ou qualquer handheld com esse chip Zen 6 — chegaria ao mercado americano provavelmente na faixa de US$ 599 a US$ 799, dependendo do posicionamento. Convertido para reais com a carga tributária atual, isso significaria preços entre R$ 5.500 e R$ 8.500 no mercado paralelo de importação. Não é barato, mas o público brasileiro já demonstrou disposição para pagar por handhelds de qualidade: o ROG Ally X, por exemplo, é vendido por volta de R$ 6.000 a R$ 7.000 no Brasil.
Para quem prefere montar um PC gamer convencional enquanto aguarda a evolução dos handhelds, vale acompanhar as opções disponíveis em placas de vídeo e processadores — especialmente porque a geração Zen 6 também chegará ao desktop, e os preços devem pressionar os chips atuais para baixo.
O que isso significa para você
- Gamer portátil / fã de Steam Deck: Este é o chip que você estava esperando. Se confirmado para o Steam Deck 2, representa o maior salto de desempenho já visto em um handheld da Valve — e possivelmente no segmento inteiro. Não venda seu Steam Deck atual por impulso, mas fique de olho nos anúncios da AMD para 2025-2026.
- Usuário de ROG Ally, Legion Go ou similar: Mesmo que o chip vá para um concorrente da Valve, você se beneficia: a competição entre fabricantes de handhelds derruba preços e acelera a adoção de hardware melhor. Um Zen 6 no ROG Ally 2 seria igualmente impressionante.
- Criador de conteúdo que trabalha em movimento: 24 GB de memória unificada em um dispositivo portátil é suficiente para edição de vídeo em 1080p e até tarefas de IA local leves. Se isso chegar a um handheld premium, o conceito de “estação de trabalho portátil para gamers” finalmente faz sentido.
- Quem avalia custo-benefício: Ainda é cedo para tomar qualquer decisão baseada nesse vazamento. Engineering samples podem mudar drasticamente antes do produto final — specs, clock, quantidade de memória, tudo pode ser ajustado. Espere anúncios oficiais antes de adiar compras ou fazer planos.
Veredito editorial
A aparição desta APU Zen 6 com 24 GB de LPDDR5 nos benchmarks é, provavelmente, o vazamento de hardware portátil mais empolgante desde que o chip do Steam Deck original foi identificado em 2021. As especificações são coerentes com o que a Valve prometeu para um sucessor: um salto geracional real, não uma atualização incremental. O clock de GPU de 2,4 GHz e a largura de banda de memória de 9.600 MT/s sugerem que a AMD está levando o gaming portátil muito a sério — e que a próxima geração de handhelds pode finalmente rivalizar com consoles portáteis dedicados em termos de desempenho gráfico.
Dito isso, a cautela é necessária: engineering samples são exatamente isso — amostras de engenharia, não produtos finais. A AMD tem o hábito de testar configurações que nunca chegam ao mercado. O que podemos afirmar com segurança é que a Zen 6 está avançando, que o segmento de handhelds é uma prioridade clara para a empresa, e que 2026-2027 pode ser o período mais interessante da história do PC gaming portátil. Fique ligado.



