Crise de Memória: Preços de RAM e SSD Sobem Até 2027

Crise de Memória: Preços de RAM e SSD Sobem Até 2027

Se você está planejando montar ou atualizar um PC nos próximos meses, prepare o bolso — e o psicológico. O presidente da Acer, Jason Chen, jogou um balde de água fria no mercado ao declarar que os preços de componentes, especialmente memória RAM e armazenamento, devem continuar subindo até meados de 2027 antes de qualquer alívio. A declaração, reportada pelo Wccftech, é um dos alertas mais diretos vindos de dentro da indústria sobre a crise de memória que já está comprimindo margens e encarecendo PCs no mundo todo — inclusive no Brasil, onde o câmbio amplifica cada centavo de alta no mercado internacional.

A escassez de memória DRAM e NAND Flash não é novidade, mas a projeção de Chen coloca um prazo concreto numa situação que muitos esperavam ser mais passageira. Segundo ele, a estabilidade do mercado só deve chegar após o segundo trimestre de 2027 — e até lá, o consumidor vai sentir o impacto direto no preço de kits de memória RAM DDR5, SSDs NVMe e até em notebooks e PCs pré-montados. Para o mercado brasileiro, isso significa que a janela de compra inteligente é agora, antes que as próximas rodadas de reajuste cheguem às lojas.

O que está causando a escassez de memória?

A raiz do problema é uma combinação de fatores que se retroalimentam. Nos últimos dois anos, a explosão da demanda por infraestrutura de IA — servidores com HBM (High Bandwidth Memory), memória de altíssima largura de banda — desviou capacidade de produção das fábricas da Samsung, SK Hynix e Micron para segmentos mais lucrativos. A fabricação de HBM é mais complexa e usa mais área de wafer por gigabyte entregue, o que significa que cada unidade de HBM produzida “rouba” espaço de linha que poderia gerar DDR5 ou NAND para o mercado consumidor.

Ao mesmo tempo, a transição da indústria de DDR4 para DDR5 ainda não atingiu escala plena. Plataformas Intel Core de 13ª e 14ª geração e AMD Ryzen 7000/9000 impulsionaram a adoção, mas o parque instalado de DDR4 ainda é enorme. Isso cria uma demanda dupla: quem migra de plataforma precisa de DDR5 nova, enquanto quem mantém sistemas mais antigos ainda consome DDR4 — e os fabricantes precisam dividir capacidade entre os dois padrões. O resultado é pressão de preço nos dois lados.

No lado do armazenamento NAND Flash (a tecnologia por trás dos SSDs), a situação é parecida. A demanda corporativa por SSDs de data center cresceu exponencialmente com a IA generativa, e as fábricas priorizaram chips de alta capacidade por unidade — o que reduz o volume total de unidades disponíveis para o mercado de varejo.

Quanto os preços devem subir — e o que já subiu

Segundo o Wccftech, a Acer projeta alta de 5% a 20% nos preços de PCs no quarto trimestre de 2026, com novos reajustes em 2027 antes de a situação se normalizar após meados daquele ano. Esses números se referem ao mercado global em dólares — no Brasil, o impacto é amplificado pelo câmbio e pela carga tributária sobre importados, que já torna a eletrônica de consumo significativamente mais cara do que nos EUA ou Europa.

“A escassez de memória não pode durar até 2030 — mas os preços vão continuar subindo até meados de 2027 antes de estabilizar.”

Jason Chen, presidente da Acer, conforme reportado pelo Wccftech

Para ter uma noção concreta do cenário atual, vale comparar os preços médios praticados nos últimos trimestres. Os dados abaixo são estimativas de mercado baseadas em preços médios de varejo no Brasil e nos EUA, usando câmbio aproximado de R$ 5,70/USD mais impostos de importação:

ComponentePreço médio (USD) — Q1 2025Preço médio (USD) — Q3 2026Variação
DDR5 32 GB (2×16 GB) 6000 MHz~US$ 75~US$ 95+27%
DDR5 64 GB (2×32 GB) 6000 MHz~US$ 140~US$ 185+32%
SSD NVMe 1 TB (PCIe 4.0)~US$ 60~US$ 75+25%
SSD NVMe 2 TB (PCIe 4.0)~US$ 110~US$ 145+32%
SSD NVMe 4 TB (PCIe 4.0)~US$ 240~US$ 310+29%

Nota: os valores acima são estimativas de mercado baseadas em tendências de preço reportadas pela indústria. Preços no Brasil variam conforme câmbio, impostos e margem do varejista.

DDR5 vs DDR4: onde a alta dói mais?

Quem ainda usa plataformas DDR4 — como Intel 12ª geração, Ryzen 5000 ou anteriores — está relativamente protegido no curto prazo, porque o DDR4 tem capacidade de produção mais estabilizada e os preços oscilam menos. O problema é que qualquer upgrade de plataforma para Intel Core Ultra ou AMD Ryzen 9000 inevitavelmente exige DDR5, e é exatamente aí que a pressão de preço é maior.

A DDR5 trouxe ganhos reais de desempenho — largura de banda até 2x maior que DDR4 em frequências equivalentes, menor consumo de energia por bit transferido e suporte a capacidades maiores por módulo. Mas esses benefícios têm um custo que, agora, está subindo ainda mais rápido do que o esperado. Para quem está num sistema DDR4 funcional, a pergunta honesta é: vale migrar agora ou esperar 2027?

SSDs NVMe: PCIe 4.0 ainda é o ponto ideal, mas está ficando mais caro

No segmento de armazenamento, o impacto da escassez de NAND está sendo sentido principalmente nos SSDs de alta capacidade. Os modelos de 1 TB ainda têm oferta razoável, mas SSDs de 2 TB e 4 TB — que viraram o padrão para gamers sérios e criadores de conteúdo — estão com disponibilidade mais restrita e preços em alta consistente.

O padrão PCIe 4.0 NVMe continua sendo o ponto de custo-benefício ideal para a maioria dos usuários: drives como o WD Black SN850X, Samsung 990 Pro e Seagate FireCuda 530 entregam velocidades de leitura sequencial acima de 7.000 MB/s — mais do que suficiente para qualquer jogo atual, edição de vídeo 4K e cargas de trabalho de IA local. O PCIe 5.0 existe e oferece velocidades dobradas, mas o custo ainda é proibitivo e os ganhos práticos para uso cotidiano são marginais.

O ângulo brasileiro: câmbio amplifica tudo

Para o consumidor brasileiro, a equação é ainda mais complicada. Além da alta em dólares, qualquer oscilação do câmbio BRL/USD se soma ao impacto. Com o dólar operando acima de R$ 5,50 e a carga de importação sobre componentes eletrônicos — que inclui II, IPI, PIS/COFINS e ICMS, podendo chegar a 60%-80% sobre o valor CIF — uma alta de 20% em dólares pode se traduzir em 25%-35% a mais no preço final em reais, dependendo do produto e do estado.

Há um ponto positivo: parte dos SSDs e memórias vendidos no Brasil já entram com estoque formado pelos importadores, o que cria uma defasagem de 30 a 90 dias entre a alta no mercado internacional e o repasse ao consumidor final. Isso significa que a janela para comprar nos preços atuais ainda existe — mas está se fechando.

Quando a situação melhora? O que esperar de 2027

A projeção de Jason Chen aponta para estabilização após o segundo trimestre de 2027. O raciocínio por trás disso é que as expansões de capacidade anunciadas por Samsung e Micron nos últimos dois anos devem começar a produzir volumes significativos entre o final de 2026 e início de 2027, mas o impacto no mercado consumidor costuma ter um lag de 6 a 9 meses. Além disso, a demanda por HBM para IA deve se acomodar um pouco à medida que os projetos de expansão de data centers atingem um platô temporário.

Existe também a variável geopolítica: restrições de exportação de tecnologia de semicondutores, tensões entre EUA e China e possíveis tarifas adicionais podem tanto acelerar quanto retardar essa normalização. O mercado de memória é historicamente cíclico — períodos de escassez e superprodução se alternam — mas os ciclos ficaram mais longos e imprevisíveis com a entrada da IA como vetor de demanda estrutural.

O que isso significa para você

  • 🎮 Gamer: Se você está de olho num upgrade de RAM DDR5 ou num SSD de 2 TB+ para expandir o armazenamento, compre agora. Os preços de hoje são os menores que você vai ver até pelo menos meados de 2027. Priorize SSDs PCIe 4.0 de 2 TB — excelente custo-benefício e capacidade mais que suficiente para uma biblioteca robusta de jogos modernos (que, como o Final Fantasy VII Revelation com seus 200 GB, estão cada vez mais pesados).
  • 🎬 Criador de conteúdo: Para edição de vídeo 4K/8K e renderização, RAM DDR5 de 64 GB está se tornando o novo padrão. Com a alta projetada, montar um kit agora pode economizar R$ 300 a R$ 600 nos próximos 12 meses. SSDs de 4 TB para projetos ativos também estão numa janela de preço relativamente favorável antes dos próximos reajustes.
  • 💼 Trabalho e IA local: Quem roda modelos de linguagem localmente (LLMs) ou workloads de IA no PC doméstico precisa de muita RAM — 64 GB ou mais. Essa é a categoria que mais vai sofrer com a alta, já que a demanda por DDR5 de alta capacidade é crescente e a oferta está comprimida. Não adie.
  • 💰 Custo-benefício / quem está esperando: Se seu PC atual funciona bem e você não tem uma necessidade urgente, a espera até 2027 pode compensar em termos de preço — mas o risco é real de que os reajustes sejam maiores do que o esperado e a “economia” vire prejuízo. Para quem precisa, a recomendação é agir nos próximos 60 a 90 dias.

Veredito editorial

A declaração do presidente da Acer não é alarmismo: é um sinal vindo de dentro da cadeia de suprimentos de quem compra componentes em escala gigantesca e tem visibilidade real sobre os contratos e a capacidade de produção dos fabricantes. O mercado de memória e armazenamento vai ficar mais caro antes de ficar mais barato — e o consumidor brasileiro, que já paga um dos preços mais altos do mundo por eletrônicos por conta da carga tributária, vai sentir isso de forma amplificada. A estratégia mais inteligente, para quem tem necessidade real de upgrade, é antecipar a compra. Para quem pode esperar, 2027 promete ser um ano muito melhor para abrir a carteira.

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